04/07/2016 às 20:29

Economia estagnada reflete no consumo moderado das famílias de Vitória


Incertezas na economia levam as famílias a consumir menos

As famílias de Vitória estão mais contidas na hora de ir às compras. Em maio, o consumo permaneceu estável, variando +0,4% (registrou 61,3 pontos) na comparação com abril, e queda de -21,8% em relação ao mesmo período de 2015, segundo a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Espírito Santo (Fecomércio-ES).

A situação econômica do país refletiu na rotina de consumo. Nas famílias com renda abaixo de dez salários mínimos, o ICF manteve estável (-0,7%) com 55,2 pontos na comparação mensal. As famílias com renda acima de dez salários mínimos o índice cresceu +4,2%, registrando 101,1 pontos.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios de Aracruz, Aderbauer Ruy Pedroni, acredita na continuidade da retração no consumo, mas vê um lado positivo nisso tudo: a consciência do consumidor. “O Brasil tem passado por algumas nuances em função da imprevisibilidade econômica. Não esperamos uma retomada imediata do crescimento, mas que, pelo menos, paremos de cair. O consumidor também trabalha em função disto, o que é um bom sinal social, por pior que seja estatisticamente para a economia, por demonstrar que o consumidor está analisando melhor suas compras. Existe maturidade e consciência nas ruas”, pondera.

Emprego

No Espírito Santo, a taxa de desemprego do primeiro trimestre do ano em relação ao último trimestre do ano passado cresceu +11,1%, o que representa mais 220 mil pessoas desocupadas no Estado ao final dos primeiros três meses do ano, segundo dados da PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE.

As incertezas em torno do mercado de trabalho ainda é uma preocupação para as famílias da capital. Na ICF, o componente Emprego Atual registrou queda de -6,5% em relação ao mês anterior e queda de -11,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Nesse contexto, o percentual de famílias que se sentem menos seguras em relação ao emprego atual aumentou e registrou 31,9% ante 26,9% em abril.

A perspectiva de melhora profissional também apresentou queda de -7,2% (de 67,6 pontos em abril para 62,7 pontos em maio). Cerca de 66% das famílias consideram que não haverá melhora no emprego para os próximos seis meses.

Nesse cenário, o comércio lida com a diminuição do ritmo das vendas. “Enquanto não houver uma amostra consistente do novo Governo em relação às medidas que devem ser tomadas para o equilíbrio na economia, consumidores e empresários devem seguir retraídos quando o assunto for compras”, diz o presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri.

Consumo

Os componentes do consumo obtiveram uma melhora em relação ao mês de abril, entretanto, continua em um patamar muito abaixo dos 100 pontos e com quedas consideráveis em comparação com o ano passado.

O subíndice do Nível de Consumo Atual apresentou crescimento de +8,4% (com 36,5 pontos) em relação ao mês anterior, porém registrou queda de -47% em relação ao mesmo mês do ano passado. Apesar do crescimento mensal, a maior parte das famílias declarou estar com o nível de consumo menor que o do ano passado (72,4%).

O mesmo acontece com o componente Perspectivas de Consumo para os próximos seis meses, que apresentou crescimento de +16,9%, com 44,3 pontos. Mesmo com a melhora na comparação mensal, 66% das famílias afirmaram que o consumo será menor nos próximos meses.

O consumo de bens duráveis ainda não é dos melhores. O componente Momento para Duráveis apresentou crescimento de +14,1% na comparação mensal (com 38,4 pontos), mas representou queda de -33% na comparação interanual. A maior parte das famílias, 74,2%, considera o momento atual desfavorável para aquisição de duráveis.

Fatores como o baixo crescimento econômico, a alta da inflação e do dólar, o aumento do desemprego, mostram que o país enfrenta períodos incertos, reflexo da crise política e econômica. “Todos esses efeitos ainda podem perdurar por algum tempo, não existem fatores consistentes que mostrem uma retomada da economia no curto prazo”, revela a assessora econômica da Fecomércio-ES, Revieni Zanotelli.